Que terroir é esse?

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Sven em um de seus vinhedos

Dono de uma das maiores indústrias farmacêuticas da Dinamarca, Sven Moesgaard planejava comprar uma vinícola na França quando se aposentasse. “Mas aí pensei: Isso todo mundo pode fazer”, conta Sven. “Vou fazer vinho aqui na Dinamarca”. E provou que podia. Em uma viagem que fiz à Dinamarca, fui visitar a sua vinícola e provei alguns desses vinhos que ele produz acima do paralelo 52, algo imprensável há alguns anos. Mas a definição do que é e do que não é um bom terroir tem mudado muito.

Não perca amanhã o resultado da degustação que vai rolar daqui a pouco com vinhos da Dinamarca, China, Bolívia, etc.

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A outra paixão de Brad Pitt

 

Não posso provar, mas tenho convicção de que um dos principais motivos da separação de Brad Pitt e Angelina Jolie realmente vem da França. Não acho que seja a atriz Marion Cotillard. E, sim, o Château Miraval, a propriedade do casal na Provence, onde eles produzem o Miraval Côtes de Provence, um belíssimo rosé em parceria com a família Perrin, produtores super importantes do Rhône.

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Manifestante acidental

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Fui à meia dúzia de manifestações políticas na vida. Militância nunca foi o meu negócio. Sempre achei essa história de apoiar um partido cegamente algo irracional, meio como torcer para um time futebol. Nos últimos tempos, no entanto, senti necessidade de me posicionar, de dizer ao Facebook e ao mundo o que estou achando da situação do país — principalmente depois que a PM passou a distribuir porrada pra tudo quanto é lado, de uma maneira tão truculenta que me fez lembrar do medo que, ainda criança, eu já tinha de polícia nos anos 70. Embuída desse espírito cívico, domingo, apesar do pavor de apanhar da polícia, de me ferir com uma bomba ou tomar um tiro de bala de borracha, achei que devia ir à manifestação da Avenida Paulista.

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Por que não wine hour?

abreOs escritório e a happy hour parecem ter surgido juntos. A cervejinha gelada depois do trabalho, acompanhada de linguiça acebolada, bolovo, pastel, tem toda a cara de coisa sagrada, um costume super brasileiro, tão antigo quanto a transformação das vilas em grandes metrópoles. Esse costume, no entanto, é bastante recente. Nasceu no início dos anos 80. Eu lembro. Nos anos 70, tirando uns poucos boêmios, todo mundo voltava direto para casa depois do trabalho. Os meus pais nunca fizeram happy hour.

Nos anos 80, a era yuppie, começou a surgir uma porrada de novos bares em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, etc. Antes disso, nessas cidades, quase só existia restaurante, onde você ia jantar em ocasiões especiais, ou boteco de esquina, desses que tem até hoje, onde mulher só entra para comprar cigarro e sai correndo. Os novos bares da década de 80 vieram democratizar a botecagem e começaram com a ideia de promover a happy hour — tentando convencer o brasileiro a aderir ao hábito americano. Os moradores das grandes cidades acabaram por aderir. Só que, invés de tomar uísque ou coquetéis como nos EUA, trouxeram para a mesa da happy hour a cerveja barata e estupidamente gelada, o chopp, a cachaça e os petiscos dos botecos da boêmia carioca, esses sim bastante tradicionais.

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De quente basta o clima

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Trabalho em casa e não tenho ar condicionado. Quando o verão aperta, não tenho muita vontade de macarronada, arroz e feijão, picadinho ou qualquer coisa que chegue à mesa fumegando. Quero pratos frios. Não confunda minha natureza, isso não quer dizer que como apenas saladas. Preciso de substância, mas, com um certo esforço mental, dá para montar um cardápio bastante variado baseado apenas em pratos frios. E, apesar de o álcool esquentar sempre um pouco, ninguém é de ferro: muitas vezes quero tomar vinho. Espumantes,  brancos ou tintos de pouco tanino e boa acidez, quase geladinhos, são ótima companhia para pratos frios. Veja, a seguir, algumas sugestões de harmonização:

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6 espumantes secos barbaridade!

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Cavalgada na Vinícola Guatambu

O Brasil faz ótimos espumantes há anos. Não são os melhores do mundo, como apregoam alguns ufanistas, mas são muito bons. Quando falamos de espumante brasileiro, no entanto, costumamos falar de rótulos da região de Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, Garibaldi, da Serra Gaúcha. Será que só por lá se fazem bons espuantes? Será que a qualidade dos espumantes brasileiros está associada ao terroir da Serra Gaúcha? Não seria resultado do domínio das técnicas de produção que nossos enólogos adquiriram nos últimos anos? Difícil dizer. Tudo em Bento e arredores parece ajudar na ótima acidez das uvas (o que é fundamental para um bom espumante). O clima é úmido, a uva custa a amadurecer, o solo é ácido…

No entanto, o fato de a Chandon, uma das mais conceituadas produtoras de champanhe, ter se instalado no Rio Grande do Sul nos anos 70  também tem um peso enorme nessa qualidade. Houve transferência e geração de tecnologia. Tanto que hoje se produz espumantes razoáveis em várias partes do país, como o Nordeste e Santa Catarina. E, no próprio Rio Grande do Sul, agora estão surgindo grandes rótulos em regiões não tão chuvosas quanto Bento, como a Campanha Gaúcha, Campos de Cima da Serra e a Serra do Sudeste. Neste verão provei alguns deles (veja a seguir). O mais interessante é que são bem diferentes dos da Serra Gaúcha.

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