tinto na geladeira?

geladeiraPessoalmente,acho que a melhor escolha para a beira da piscina ou para um jantar numa noite abafada é um bom vinho branco. Concordo que não dá para passar o verão inteiro sem tomar tinto. Mas experimente beber um shiraz australiano num almoço no jardim debaixo de um sol forte! Você vai passar mal. Eu, pelo menos, passo, principalmente se estiver comendo algo pesado, como seria justo para acompanhar um shiraz australiano. Muitos vão alegar que estão acostumados a fazer isso. Pode ser, mas não creio. Acontece que, às vezes, mesmo passando mal, a gente insiste até o ponto em que o álcool na cabeça faz esquecer qualquer queda de pressão ou sensação inicial de estômago estufado. Isso é auto-flagelação. Ninguém precisa se maltratar assim! Não quer tomar branco nem muito menos rosé? Basta escolher tintos mais leves. No post Dez tintos para o verão, sugiro alguns rótulos que me agradaram muito nestes dias infernalmente quentes que temos vivido.  E, a seguir, indico alguns pontos que podem ajudar os “tintófolos” a descobrirem se estão diante de um vinho leve antes de abrirem a garrafa. Não é uma fórmula mágica, são pistas, porque só provando é possível saber como é um vinho. 

Alcoólico, pero no mucho
Certo, certo mesmo, era não tomar bebida alcoólica quando faz 40 graus. Não é novidade para ninguém que o álcool só piora a sensação de calor. Mesmo aquela cervejinha gelada, que você fica louco para tomar no fim do dia, meu amigo, é um tiro pela culatra! Repare como, depois da primeira, os homens já estão arrancando a gravata e as mulheres, prendendo os cabelos. Vinho é muito pior, mais alcoólico que cerveja. Mas, como ninguém é de ferro, vá em frente, beba o seu vinho, que eu vou continuar bebendo os meus. Apenas tenha moderação. Comece por reparar na dosagem alcoólica.  Hoje muitos tintos, principalmente os do Novo Mundo, ficam entre 14 e 16 graus de álcool. Ou seja, três vezes o que tem uma cerveja simples. Uma taça naquele boteco com mesa na rua e o sujeito vai querer tirar a roupa toda. Os europeus em geral são um pouco menos calientes. Há uma boa quantidade de rótulos das regiões mais tradicionais cujo grau alcoólico varia entre 10,5 e 13,5 graus. Prefira esses no verão. Essa informação aparece no rótulo. Continuar lendo

dez tintos para o verão

IMG_20140131_010754 (2)Uma vez perguntei a um chef pernambucano, qual tinto era mais apropriado para o clima quente do Nordeste. “Qualquer um”, ele me respondeu. “A gente toma vinho em ambientes com ar-condicionado”. Reconheço que a pergunta foi  malfeita, mas se refrigeração ambiente fosse a única solução para encarar um  vinho tinto em dias muito quentes, eu só poderia tomar tinto em (alguns) restaurantes de outubro a abril. A minha casa não tem ar-condicionado, assim como a casa da maioria dos meus amigos e de mais de 90% da população de São Paulo (se bem que, com com as temperaturas escaldantes dos últimos dias, muitos paulistanos, como eu, devem estar repensando essa opção). Alguns anos e muitas taças mais tarde, hoje sei que, graças a Deus, existem tintos que não batem de frente com o clima tropical. Tintos mais leves, que podem ser consumidos quase gelados. Para saber como identificá-los, dê uma olhada no post Tinto na geladeira?. Para quem quer ir no certo, aqui já vão algumas sugestões:

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novas fronteiras

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O administrador Wanderson Fernandes no sítio onde mora, no Acre: clubes levam rótulos de qualidade às áreas mais longínquas do país

Há 15 anos, quando começou a trabalhar com importação de vinhos, o carioca José Augusto Saraiva saia pelo Brasil com algumas garrafas especiais debaixo do braço tentando colocá-las em empórios e restaurantes de cidades distantes.  “Ía lá para o interior de Minas, do Nordeste”, conta. “Quando começava a explicar o produto, as pessoas ficavam olhando para mim como se eu fosse louco. Ninguém nunca tinha ouvido falar em denominação de origem controlada, terroir ou qualquer uma dessas coisas”. Hoje administra um clube de vinhos. O Vinetude, como boa parte dos clubes do país, chega a área bem mais isoladas do que aquelas que Saraiva visitava. “Tem sócio no interior do Pará”, diz. “As garrafas chegam no correio da cidade mais próxima e de lá seguem de barco até as casas dos sócios”.

Hoje no Brasil existem dezenas de clubes, juntos todos os meses eles entregam centenas de milhares de garrafas de vinhos escolhidos a dedo em casas tanto das grandes capitais quanto de povoados longínquos. Com essas garrafas, costuma seguir algum tipo de informação impressa: revistas, newsletters, etiquetas caprichadas, etc. Um complemento à   a uma montanha de conteúdo digital que os sócios dos clubes têm acesso.  Com elas, vai se espalhando a cultura do vinho pelo país e, cada vez menos, as pessoas acham estranho quando você fala de um vinho DOC.

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o vinho nosso de cada mês

abreDiante de uma gôndola de supermercado lotada de garrafas de vinhos das mais diversas regiões do planeta, você entra em pânico? Se entrar, não tenha vergonha. Todo mundo passa por isso. Eu bebo bons vinhos  há muitos anos e sempre gostei de ler a respeito, mas só me livrei completamente da ansiedade do momento da compra depois que fiz meu curso de sommelier profissional. Vamos combinar: com a garrafa fechada, para quem não é especialista, fica bem difícil saber o que é bom e o que é ruim! Nas lojas de comércio eletrõnico, é um pouco mais fácil já que muitos sites apresentam seus produtos acompanhados de informações. Ainda assim, como saber se não estão vendendo peixe por lebre? Na dúvida, a maioria das pessoas vai no conhecido e acaba tomando sempre os mesmos vinhos. O que é uma pena porque uma das coisas mais divertidas no mundo do vinho é a diversidade de aromas, sabores, texturas e até de aparência. 

Se  deseja se aventurar, sem risco de gastar dinheiro com algo ruim, os clubes online são boa opção. Eles entregam rótulos de qualidade na porta de sua casa, por um preço menor de que o do mercado.  Você já deve ter visto caixas de um desses clubes chegarem todo mês na casa de seu vizinho ou no escritório para seu colega.  Os clubes de vinho viraram uma moda. As tais caixinhas estão do Oiapoque ao Chui. Veja reportagem sobre essa nova mania no post Novas fronteiras.  E conheça aqui, alguns dos clubes de vinho mais interessantes do mercado brasileiro:

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