Nove vinhos para deixar sua sobremesa ainda mais gostosa

abreAté bem pouco tempo atrás, eu não gostava de vinho de sobremesa. Vinho do Porto, Madeira, Málaga, para mim, isso tudo era coisa que meu avô bebia em mil novecentos e bolinha. O aroma um tanto envelhecido, oxidado, de muitos desses vinhos, reforçava a minha ideia de que só velho tomava vinho de sobremesa. Eu tinha colocado na cabeça que não gostava, portanto. nunca experimentava nada do gênero.  Quando fiz o curso de sommelier profissional, tive de deixar de lado esse preconceito, provar vinhos fortificados, colheitas tardias, botritizados. Descobri coisas deliciosas. Aromas e sabores que continuaram me trazendo de volta a casa de meus avós, mas foram se associando às boas lembranças: o cheiro de jasmim do quintal, os perfumes meio adocicados da penteadeira de minha avó, os doces caseiros que meu avô recebia do interior. Hoje eu adoro vinhos de sobremesa. Só não tomo todo dia porque engorda. Quando soube que havia sido inaugurada em São Paulo, no Bixiga,  uma doceira que fazia harmonizações entre bolos, tortas, pavês e vinhos doces, fiquei toda assanhada para ir conhecer e para apresentar essa ideia aqui no .CRU. Aposto que poucos de vocês têm o hábito de pedir um cálice de vinho depois da refeição. Uma passada na Moscatel Doceria & Bar de Açúcar depois de uma pizza na Speranza ou uma massa na Cantina Roberto, por exemplo, que ficam bem pertinho, na própria 13 de Maio (até 25 de maio as casas da rua estão fazendo o festival Viva a 13 de Maio) pode ajudá-los a começar a entender o que estão perdendo. A casa, que também serve coquetéis para harmonizar com os doces, tem uma carta pequena, com vinhos de sobremesa simples, mas que funcionam bem como iniciação. Neste post, não pretendo esgotar o mundo dos vinhos de sobremesa. Ele é imenso. Não vou falar de Sauterne, de Tokaji, de Jerez (que nem sempre é de sobremesa), nem de uma série de outros estilos de vinho de sobremesa super importantes. Não vou falar porque não tomei esses vinhos recentemente e não gosto de escrever sobre aquilo que não está bem presente na minha memória gustativa. Abaixo estão apenas algumas combinações testadas na Moscatel e outras com vinhos de sobremesa que provei recentemente.

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quanto açúcar tem seu espumante?

quadro luis 15Já se perguntou por que um vinho doce pra chuchu, como o espumantes  demi-sec, se chama meio seco? Porque até a metade do século 19, todos os champanhes eram doces. Em 1848, um comerciante inglês convenceu a casa Perrier-Joët a acrescentar  menos açúcar em algumas garrafas. E foram surgindo champanhes cada vez mais secos e novas categorias. Abaixo, a relação dos teores de açúcar  permitidos para cada classificação:

Nature ou Zero – até 3 gramas de açúcar  (não acrescentado) por litro

Extra Brut – 3 a 6 gramas

Brut – 6 a 15 gramas

Seco – 17 a 35 gramas

Demi-Sec – 33 a 50 gramas

Doce (Doux) – acima de 50grs.

Espumantes nacionais valem o brinde

IMG_20140221_022730Os espumantes brasileiros, especialmente os gaúchos, são na média bastante bons: frescos, equilibrados, com aromas agradáveis. Nem por isso eles são tão ou quase tão bons quanto os champanhes como deu a entender o inglês Steven Spurrier, crítico da revista Decanter (leia entrevista no post O vinho brasileiro me agrada mais que o chileno ou o argentino), durante o Panorama dos Espumantes do Hemisfério Sul, organizado pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) em São Paulo na semana passada. Spurrier, não sei se vocês lembram, é o responsável pelo Julgamento de Paris, uma degustação às cegas feita na França, em 1976, para comparar bordeaux e bourgognes com californianos. Um encontro histórico no qual, contra todas as expectativas, os americanos levaram a melhor.

O que se tentou fazer por aqui foi uma espécie de Julgamento de São Paulo, comparando espumantes brasileiros com espumantes da Argentina, do Chile, da Austrália, da Nova Zelândia e da África do Sul. Não deu muito certo. O evento ficou longe de provar qualquer coisa que nós já não soubéssemos: ou seja, que os espumantes brasileiros têm boa condição para competir no mercado internacional. Não convenceu ninguém de que  é melhor do que Austrália, Nova Zelândia ou África do Sul. E a liderança na América do Sul não é novidade.

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“O vinho brasileiro me agrada mais que o chileno ou o argentino”

spurrierA frase acima, proferida pelo crítico inglês Steven Spurrier, com certeza, é bastante polêmica. Eu mesma não assinaria embaixo dela. Mas, se há uma coisa que Spurrier sempre foi é polêmico. Antes de ser crítico de vinhos da revista Decanter, nos anos 70, viveu em Paris, onde teve uma lojinha/escola de vinhos em sociedade com uma americana. Começou a prestar atenção na qualidade dos vinhos californianos quando ninguém tinha ouvido falar deles e, em 1976, em Paris, organizou uma degustação às cegas parar comparar os vinhos americanos com grandes de Bordeaux e da Borgonha. Reuniu um corpo  de jurados de peso, todos europeus, entre os quais estavam  Aubert de Villaine, o famoso proprietário do ainda mais famoso Romanée-Conti, na Borgonha, e Pierre Tari, dono do Château Giscours, em Margaux, e secretário-Geral da Assossiation des Grands Crus Classés. Os americanos ganharam tanto nos tintos quanto nos brancos. “Eu não esperava por isso”, disse Spurrier em uma entrevista concedida a .CRU durante sua passagem por São paulo, no fim de abril. “Se eles tivessem ficado entre os cinco melhores, eu já teria provado minha tese. Mas deu no que deu. Os vinhos californianos ficaram famosos e eu também.”

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