A malbec e as regiões vinícolas argentina

A malbec de Mendoza conquistou o mundo. Virou sinônimo de tintos redondos, fáceis de beber. A casta, porém, sempre existiu em outras áreas do país e hoje está presente, apresentando ótimos resultados, em todas as principais regiões produtoras argentinas

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malbec e tannat: francesas de alma sul-americana

 

Pisano, Uruguai

Pisano, Uruguai

Logo no princípio deste blog, fiz um post sobre tintos de verão. Chegou a hora de falarmos de tintos de inverno. São muitos. Então, vamos por partes. Neste post trataremos apenas de malbecs e tannats, ótimos para noites frias. Sei que, a Copa do Mundo, não faltou brasileiro com raiva de tudo o que viesse da Argentina e que, por isso, muita gente ainda pode torcer o nariz para os vinhos malbecs. Tanto que quase desisti. Mas afinal a Argentina perdeu, não levou o caneco em solo brasileiro como muita gente temia e, pensando bem, embora os vinhos de Mendoza sejam responsáveis pela fama mundial da malbec, ela é uma uva francesa. E a França foi eliminada lá atrás. Quanto aos tannats, nesta Copa o Brasil não teve nenhum problema com o Uruguai mas, há que se dizer, a tannat tampouco é uma uva sul-americana — apesar de os vinhos feitos a partir dela em terras uruguaias estarem se tornando cada dia mais cotados. As duas castas são do sudoeste da França, como vemos no post Malbec e tannat: o passado francês. Seus vinhos têm personalidades próprias, mas são parecidos de corpo e alma. São na maior parte das vezes vinhos densos, escuros, perfeitos para acompanhar carnes, guizados, pratos fortes ou mesmo para serem tomados puros na frente da lareira.

Claro, não são os únicos com essas características. Cabernets, merlots, syraz e vários vinhos de corte se encaixam no mesmo perfil. Mas há algo na alma das duas castas que as une da origem aos dias de hoje. A malbec veio de Cahors para a América Latina e se deu melhor em Mendoza que em sua própria terra. A tannat saiu de Madiran para fazer sucesso no Uruguai e, agora também, na Campanha Gaucha. Tanto o vinho de Cahors como o de Madiran conquistaram prestígio na Idade Média. Ambas as castas, no entanto, passaram por Bordeaux, e até hoje fazem parte das uvas permitidas no corte bordalês, sem nunca ter feito grande sucesso por lá. A seguir, minhas impressões sobre alguns rótulos que fizeram parte de uma degustação comparativa sobre o tema que conduzi para uns amigos há umas semanas:

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