California dreaming

pinot longboard

Apesar da chuva, decidi vir à praia neste fim-de-semana. Vim para descansar, mas trouxe alguns vinhos para avaliar e escolher um para ser o copo do dia desta semana. Chegando a Itamambuca, no entanto, não conseguia deixar de pensar no LongBoard Vineyards Pinot Noir que tomei na semana passada, em uma degustação de vinhos dos Estados Unidos. Assim como nas praias da California, neste recanto quase selvagem de Ubatuba, tudo gira em torno da cultura do surf. Então, achei que esse pinot harmonizaria muito bem com o espírito do local. Feito por um surfista, ele chama atenção de cara pelo pranchão do rótulo. Não se engane, no entanto, com a apresentação informal. É um grande pinot da região de Russian River, uma sub-apelação do Sonoma Valley onde a uva borgonhesa se dá maravilhosamente bem. Com uma breve passagem por barris de carvalho francês, guarda muitos aromas de frutas frescas, como cereja, ameixa e morangos. Tem rosas, algo terroso e um toque de carne defumada. Na boca, é elegante mas tem presença. Custa R$ 222. É caro, mas vale.
Este vinho vai muito bem com Salmão e queijos envelhecidos.

Vinho por conta da casa

IMG_20140807_095342Passei dois dias em Montevidéu em agosto, antes de ir para Punta del Este, onde faria parte do Expert Speed Tasting, promovido pelo site Bodegas del Uruguay. De manhã até o fim da tarde, rodei a região de Canelones (veja post De Bodega em Bodega) visitando vinícolas. Adoro, mas é cansativo. Nessas visitas, muitas vezes, às nove da manhã já estou degustando (e cuspindo) vinho. Ando pelo parreiral, visito a vinícola em si, que nada mais é do que uma fábrica, e escuto uma série de detalhes sobre agronomia e enologia. São visitas bem mais técnicas do que o turista normalmente faz. No fim do dia estou quebrada. Ficar em um bom hotel é fundamental.
Quero relaxar. E o que faço para relaxar? Acreditem se quiser: tomo vinho. Aí eu tomo mesmo, não cuspo. Nessa minha última passada por Montevidéu, quando chegava no hotel, que maravilha, tinha uma degustação de vinhos e azeites no bar me esperando, a mim e a todos os hóspedes. No My Suites, Boutique Hotel & Wine Bar, a diária (cerca de 370, o casal, salvo promoções) inclui uma degustação de três vinhos e três azeites, com direito a uma cestinha de pão muito gostosa. Mauricio Gimenez, o sommelier do My Suites, escolhe vinhos e três azeites diferentes para cada noite e dá uma breve palestra sobre eles.  As taças são bem servidas, vale bem como um happy-hour.

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7 dicas espertas para degustar um vinho

IMG_20140808_174803Nunca me senti tão esperta quanto nos quatro dias que passei no Uruguai durante o Salão Internacional de Vinho e Gastronomia do Mantra Resort de Punta del Este em agosto.  “A senhora é uma das espertas, não é?”, perguntava a recepcionista. “Sim, claro!”. O segurança me informava que nós, os espertos, tínhamos direito a uma área reservada dentro do salão. O gerente do hotel fez um agradecimento especial a nós, o grupo internacional de espertos ali reunidos para o Expert Speed Tasting. Não querendo chamar o leitor de pouco esperto, acho bom esclarecer que os uruguaios estavam dizendo experta, experto, com x, que em espanhol quer dizer especialista.
Fiz parte de um grupo de especialistas convidados pelo Bodegas del Uruguay para avaliar o trabalho de algumas das mais importantes vinícolas do país. Na degustação, provamos e comentamos 19 vinhos de diferentes vinícolas. Depois, na feira, degustei mais algumas dezenas. Claro, aprendi muito sobre o vinho uruguaio (veja o post Vinhos que provei e aprovei). Mas não só. A oportunidade foi boa também para observar o trabalho dos especialistas, refletir sobre o que é ser esperto quando se trata de vinho e lembrar de algumas pontos básicos. A seguir, algumas observações tiradas desse e de outros eventos:

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Vinhos que provei e aprovei

Você deve se perguntar que tanto falo do Uruguai. Acontece que coincidiu de eu ir duas vezes ao Uruguai este ano. No Carnaval, fui de férias. E, em agosto, fui convidada a fazer parte do Expert Speed Tasting, um painel de especialistas, organizado pelo Bodegas del Uruguay, que tinha por missão comentar uma série de vinhos uruguaios horas antes do início do Salão Internacional de Vinho e Gastronomia do Mantra Resort de Punta del Este. Provamos 19 vinhos. Um estava estragado, bouchonné (veja o post 7 dicas espertas para degustar um vinho). Os outros 18, de modo geral, eram muito bons. Mas estes oito me agradaram de maneira especial:

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Veja a seguir meus comentários sobre os vinhos

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baladeiros unidos

IMG_20140905_222622 (2)A vida toda fui super baladeira. Quando tinha 12 anos, conversando com uma prima de 14 numa sexta-feira, jurei: “Quando eu tiver a sua idade, vou sair toda noite”. Por muitos e muitos anos cumpri essa promessa. Hoje saio só umas três a quatro vezes por semana, antes era praticamente toda noite. Não sempre para balada. Na maioria das vezes, para restaurante ou boteco. Ironicamente, sou uma baladeira, botequeira, que não se liga em cerveja. Meu negócio sempre foi vinho. Então, já sofri muito na vida, como vocês podem imaginar. Chego no boteco, e o que tem para beber? Concha e Toro Reservado, Santa Helena Reservado. Quando tem. Na balada, às vezes, tem espumante, mas é caro. O Baladero é um vinho com qualidade de restaurante e preço de boteco. Custa R$ 36,50 na importadora Barrica Negra. No boteco, deve chegar a uns 50, 60 paus. É um vinho argentino, de Mendoza, mas feito por uma família de pernambucanos. O Malbec é ótimo. Porém gostei especialmente deste Cabernet Sauvignon 2011, um vinho com bastante fruta no nariz, corpo médio, fresco, nada pesado. Não digo que dá para harmonizar com bolinho de feijoada, mas se você pedir um presunto, um salame, vai bem.

leia também:

malbec e tannat: francesas de alma sul-americana

a malbec e as regiões vinícolas argentinas