Vinhos que provei e aprovei

Você deve se perguntar que tanto falo do Uruguai. Acontece que coincidiu de eu ir duas vezes ao Uruguai este ano. No Carnaval, fui de férias. E, em agosto, fui convidada a fazer parte do Expert Speed Tasting, um painel de especialistas, organizado pelo Bodegas del Uruguay, que tinha por missão comentar uma série de vinhos uruguaios horas antes do início do Salão Internacional de Vinho e Gastronomia do Mantra Resort de Punta del Este. Provamos 19 vinhos. Um estava estragado, bouchonné (veja o post 7 dicas espertas para degustar um vinho). Os outros 18, de modo geral, eram muito bons. Mas estes oito me agradaram de maneira especial:

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Veja a seguir meus comentários sobre os vinhos

Laberintos Sauvignon Blanc 2014 – Branco da vinícola Laberintos del Sur, de Paso Cuello, Canelones, próximo a Montevidéu, não passa por madeira. É claro, cor de palha. No nariz, tem até um petrolado, um cheirinho de petróleo que, acreditem, deixa os brancos maravilhosos. Elegante, tem aroma de frutas  brancas. Na boca é fresco, leve, mas persistente. Ótimo para peixes delicados.

Marichal Reserve Collection Pinot Noir Blanc de Noir Chardonnay 2012 – Este vinho, da Bodega Marichal, de Etcheverría, também Canelones, é um rosé com perfil aromático de branco ou um branco com cor de rosé. Pode escolher. Sendo rosé, tem uma cor linda, casca de cebola muito clara e delicada, que só se encontra nos vinhos da Provence. Na verdade, já que é feito com 60% de Pinot Noir e 40% de Chardonnay, lembra mais um espumante de corte clássico. Tem o abacaxi e o amanteigado dos chardonnays e as frutas vermelhas dos pinots. Na boca, é fresco, mas redondo. Já tinha me chamado a atenção em uma degustação que fiz em Montevidéu no My Suites, Boutique Hotel & Wine Bar, especializado em enoturismo (veja post Vinho por conta da casa).

El Preciado Gran Reserva 2011 – Este vinho da Castillo Viejo, de San José, região vinícola na costa, entre Montevidéu e Colonia del Sacramiento, tem um estilo muito europeu. Corte com 56%  de Tannat, 18% de Cabernet Franc, 14% de Cabernet Sauvignon, 7% de Merlot e 5% de Tempranillo, no nariz, ele é elegante e complexo, com uma fruta escura profunda. Na boca, aparece um chocolate preto. Os taninos são finos, mas têm textura.

Alto de la Ballena Reserva Tannat Viognier 2010 – Você sabia que alguns tintos levam um pouco de uvas brancas? Esse é o caso deste vinho da bodega Alto de la Ballena, da Sierra de la Ballena, em Maldonado, próximo a Punta del Este (veja texto Pelos caminhos da Tannat). Seu corte é 85% Tannat e 15% Viogner. No Vale do Rhonê, França, é comum misturar a Viogner com a Syrah. Isso confere um frescor muito interessante ao vinho tinto e ajuda a estabilizar a cor. Este tem aromas de frutas escuras, especiarias, esmalte. Na boca, seus taninos ainda estão um pouco rugosos, mas o conjunto é super agradável.

Artesana Tannat Zinfandel Merlot Reserva 2011 – Este tinto escuro, denso, da Artesana, em Las Brujas, Canelones, me lembra muito os vinhos do sul da Itália. Talvez tenha ficado sugestionada pelo fato de ele levar Zinfandel em sua composição (55% Tannat, 25% Zinfandel e 20% Merlot).  A Zinfandel, muito comum na Califórnia, é a Primitivo, da Puglia. A semelhança com os vinhos italianos, para mim, no entanto, transcende as características dessa casta. Esse vinho tem aquela coisa que chamo de fruta profunda. O aroma de fruta escura é marcante, mas ela não está cozida. Parece conservada em álcool. Senti ainda especiarias, tabaco.

Campotinto Tannat Reserva 2012 – Este tannat é a primeira safra, do primeiro vinho da Posada Campotinto, em Carmelo, na região de Colonia. Eles são realmente uma pousada que decidiu virar bodega. Adorei o vinho. No nariz, além das frutas escuras, tem couro, especiarias, tabaco. É um vinho guloso sem ser enjoativo, me lembra os toscanos.

Maderos Gran Reserva Tannat 2011 – Já conhecia esse rótulo da viagem que fiz no Carnaval de férias ao Uruguai. Na ocasião, até visitei a bodega Los Cerros de San Juan. Escuro, denso, tem aroma de chocolate, alcaçuz, especiarias, fruta escura. Algo de cânfora e cipreste. Bem lá no fundo, uma violeta. Ou seja, é bastante complexo. Na boca é bem seco, austero, com aromas discretos e taninos rugosos, mas finos.

Pizzorno Select Blend Reserva 2011 – Fiquei dois dias em Montevidéu antes de ir para o salão do Mantra. Nesses dias, como conto no post Pelos Caminhos da Tannat, fiz um tour por várias bodegas da região de Canelones com a Senderos del Tannat, empresa de transportes especializada em vinhos. Entre elas, visitei a Pizzorno. Lá já tinha ficado bem impressionada com este blend, um corte 60% Tannat, 30% Cabernet Sauvignon e 10% Merlot. O vinho é fresco na boca e no nariz. Tem aromas de fruta escura, ameixa preta, nada cozida, nem mesmo muito madura. Tem algo de cânfora. Na boca, tem uma rugosidade agradável. Dá para tomar um monte.

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