Rosés harmonizam com quase tudo

unnamedNa quinta-feira, dia da consciência negra, fui convidada a almoçar no restaurante Ecully na Pompeia. Apesar de ser feriado, era um almoço de trabalho, com a dura tarefa de provar um menu-degustação. Cheguei depois do grupo e eles já tinham pedido o vinho: um Château de Berne Côtes de Provence, sobre o qual tinha acabado de falar neste blog. Uma grata surpresa, primeiro, porque gosto do vinho; segundo, porque tive a oportunidade de testá-lo com uma série de pratos. Os rosés da Provence são, de fato, uma ótima opção para harmonizar uma refeição de cabo a rabo. O vinho foi bem com tudo. Mas foi especialmente bem com o atum trufado com purê de batata (veja receita) e com o duo de vieiras. Os chefs  Juliana Amorim e Guilherme Candido moraram um tempo na França, perto de Lyon, e fazem uma cozinha contemporânea leve, inovadora e muito gostosa. Ainda por cima, têm uma loja da Grand Cru na frente do restaurante e o vinho chega à mesa a preço de importadora. É perto de casa. Vou frequentar.

 

Em busca do terroir goiano

IMG_20140525_205112Saiu hoje uma matéria minha no caderno Comida da Folha de S.Paulo sobre um produtor de vinhos que está fazendo um bom Syrah e um bom Barbera no Cerrado. A reportagem (Medico dobra produção de vinho em região com clima de deserto em Goiás) traz a história de Marcelo Souza e Silva, otorrinolaringologista da PM goiana, vitivinicultor auto-didata, que colocou na cabeça a ideia de que o Planalto Central é um bom lugar para produzir vinhos e fez com que ela se tornasse realidade. Conheci Marcelo em 2010, quando estive em Goiás para o V Festival Gastronômico e Cultura de Pirenópolis. Na ocasião, ele fez uma pequena degustação informal da safra 2008, sua primeira. Provei seus vinhos Intrépido (Syrah) e Bandeiras (Barbera) e achei que tinham futuro.

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Todos os tons de rosa

taças roseUm dos grandes atrativos do rosé da Provence é a cor, costuma ser clara e e elegante. Mas há uma grande variação de tonalidade dependendo de vários fatores, como as uvas utilizadas, a maturidade do bago na época da colheita, a temperatura do dia (ou da noite) na hora da colheita, o método de vinificação, o tempo de maceração, o contato com o oxigênio e o tipo de solo.

cores 2Vinhos nos quais prevalece a Syrah ou a Mouvèdre, por exemplo, são mais escuros tendendo ao rosa ou até ao roxo. Já os feitos com a uva local Tibouren podem ter a um tom de manga. Vinhos de uvas colhidas menos maduras são mais ácidos e isso faz com que tenham um tom laranja ou salmão. Uvas maduras rendem vinhos menos frescos, de um rosa mais vibrante.  Uvas colhidas em noites ou dias mais frios, além de preservarem acidez, transferem menos material corante para o mosto.

 

Os domínios provençais

Cotes-de-ProvenceEm 2008, 86% do vinho produzido na Provence era rosé, 11% tinto e 3% branco. A região é focada nos rosados, mas dentro dela há diferentes denominações com vocações diversas. São 9 AOC (Apelação de Origem Controlada) no total: Côtes de Provence, Coteaux d’Aix-en-Provence, Les Baux de Provence, Coteaux Varois en Provence, Palette, Cassis, Bandol, Bellet e Coteaux de Pierrevert. Algumas delas, como a Côtes de Provence e a Coteaux Aix-en-Provence são enormes. Outras, como a Cassis e Bellet, são mínimas. No Brasil, chegam principalmente os vinhos da Côtes de Provence.

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Dez rosés para se apaixonar pela Provence

vins-provenceDez anos atrás, se você sugerisse a um brasileiro que ele tomasse um vinho rosé, a resposta provavelmente seria:”Tá me chamando de viado?”, uma observação em tom de piada, seguida de risadas, mas que encerrava o assunto. O sujeito não bebia rosé a não ser que estivesse com a namorada, e mesmo assim resistia. Sozinho ou com amigos, jamais! Claro que nem todo mundo era tão tonto. Mas é claro também que ainda hoje há homens que falam esse tipo de asneira. Brasileiros (e brasileiras boas de copo) até bem pouco tempo diziam que vinho de verdade mesmo era vinho tinto, o resto era coisa de moça que não sabe beber. Porém isso está mudando. Os brasileiros, que sempre torceram o nariz para os rosados, parecem que estão começando a descobrir o quanto esse tipo de vinho combina com o nosso clima e a nossa cozinha. Assim como os brancos, os rosés são para tomar geladinhos. Mas à diferença da maior parte dos brancos, eles têm algum tanino. Isso faz com que encarem uma moqueca ou uma feijoada com mais presença de boca.

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