Dez rosés para se apaixonar pela Provence

vins-provenceDez anos atrás, se você sugerisse a um brasileiro que ele tomasse um vinho rosé, a resposta provavelmente seria:”Tá me chamando de viado?”, uma observação em tom de piada, seguida de risadas, mas que encerrava o assunto. O sujeito não bebia rosé a não ser que estivesse com a namorada, e mesmo assim resistia. Sozinho ou com amigos, jamais! Claro que nem todo mundo era tão tonto. Mas é claro também que ainda hoje há homens que falam esse tipo de asneira. Brasileiros (e brasileiras boas de copo) até bem pouco tempo diziam que vinho de verdade mesmo era vinho tinto, o resto era coisa de moça que não sabe beber. Porém isso está mudando. Os brasileiros, que sempre torceram o nariz para os rosados, parecem que estão começando a descobrir o quanto esse tipo de vinho combina com o nosso clima e a nossa cozinha. Assim como os brancos, os rosés são para tomar geladinhos. Mas à diferença da maior parte dos brancos, eles têm algum tanino. Isso faz com que encarem uma moqueca ou uma feijoada com mais presença de boca.

Uma das provas de que o Brasil está cedendo ao charme rosa é a grande variedade de rótulos da Provence que hoje se encontra no mercado. Os melhores rosés do mundo são, sem dúvida, os dessa região do Sul da França, que reúne várias denominações . São elegantes como só eles, a começar pela cor, clara, delicada que predomina. Dizem que eles não viajam bem, que nada como tomar um rosé da Provence na Provence. Gente! Nada como tomar qualquer vinho na Provence. Há vários motivos para amar a Provence além dos rosés. Contudo, é fato que os rosés de modo geral são muito frágeis e os da Provence, por serem mais sutis e delicados, são ainda mais suscetíveis às mudanças de temperatura. “Têm de ser tomados jovens”, diz José Luiz Borges, vice-presidente da Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo e um dos professores do curso sobre Provence, programa em parceria com o Conselho Interprofissional de Vinhos da Provence que é dado todos os anos na ABS. “Quanto mais jovens melhor. Sugiro que o consumidor busque pontos de venda com uma boa rotatividade. Os rosés são frágeis, sensíveis à luz. A garrafa, ainda por cima, é transparente para exibir a cor! Em casa, também é preciso guardá-los em um local protegido da luz e não por muito tempo.”

A seguir alguns rosés da Provence que estão no mercado brasileiro:

1- Provence de alma 

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Tecnicamente, o Triennes Rosé não é um Provence. É produzido com o maior cuidado em Nans-les-Pins, uma vila da região Provence-Alpes-Cotê d’Azur, mas não leva a AOC . É classificado como Indication Géographique Protegée (IGT) Mediteranée. Isso, no entanto, é só uma questão de burocracia.  Não pode levar a AOC (Apelação de Origem Controlada) Cotês de Provence e nenhuma das outras oito AOCs da Provence porque, além de Cinsault, Grenache e Syrah, tem Merlot no seu blend, e a Merlot não é uma das castas autorizadas (ver post castas) nessas apelações. De alma, no entanto, ele definitivamente é um Provence. Tem a elegância e sutileza. Ainda muito fresca, a safra 2013 está com um tom salmão-claro límpido e brilhante. No nariz, tem intensidade média com um certo aroma de tutti-fruti, algo das ervas de Provence e uma leve lavanda. Ótimo para um almoço de verão. Custa R$ 95, na Magnum.

2 -Para uma tarde de verão a beira-mar

IMG_20141105_180229Os vinhedos do Château Léoube ficam quase na beira do mar turquesa da Cotê d’Azur, ao lado de uma praia deserta, à qual só se chega de barco ou por estradinhas de terra. O Château Léoube Rosé de Léoube Côtes de Provence é o vinho perfeito para tomar em um local assim e, no Brasil, está cheio de praias paradisíacas. Um vinho simples, mas super elegante. O corte não poderia ser mais provençal: 40% Grenache, 40% Cinsault, 10% Syrah e 10% Mouvèdre. O tom do vinho tampouco: a famosa casca de cebola que só tem por lá. No nariz, o que primeiro aparece são a lavanda e as ervas da Provence. Não senti muitos aromas de fruta. Talvez porque bebi um 2011, safra que já está no limite dos seus dias de consumo. Na boca, é leve e agradável. Sai por R$ 66, na Premium Drinks, importadora que está trazendo vários vinhos da Provence para o Brasil.

3 – Um château aberto ao turista

IMG_20141105_182459Se pensou em levar a sério o dito popular (popular entre os ricos, é claro) que prega que os vinhos da Provence têm de ser tomados in loco,  experimente tomar o Terres de Berne Côtes de Provence no Château de Berne, onde ele é produzido, sentado na varanda ou à beira da piscina. A vinícola do século XVIII abriga um hotel super charmoso da rede Relais & Châteaux. Tenho certeza de que o vinho ficará melhor ainda. Mas ele já é bastante bom. A safra 2012 está com tons alaranjados e mostra aroma de frutas um pouco mais maduras, além de um gostoso floral. Na boca, tem corpo médio e uma leve sensação adocicada, apesar de continuar sendo seco. Custa R$ 95, na Grand Cru.

4 – Cezanne e a natureza viva

IMG_20141105_180647Nos arredores de Aix-en-Provence, o Château Ferry Lacombe fica em frente à montanha Sainte-Victoire, aquela pintada por Cezanne, bem no coração da Provence. As uvas são colhidas às 4 horas da manhã para preservar os aromas e evitar a extração excessiva de matéria corante. De fato, o Haedus Ferry-Lacombe Côtes de Provence é um vinho super aromático. O 2013 é uma explosão de frutas: vermelhas, pera, pêssego, algo que reconheço como o tutti-frutti das balas de infância. Há também um certo floral. Na boca, é bem seco e tem corpo médio. A meia garrafa custa R$ 54 na Zahil.

5 – A força rosa na terra dos tintos

IMG_20141105_181745O Domaine Sorin fica no litoral entre Saint-Tropez e Marselha, no Bandol, denominação conhecida pela qualidade de seus tintos. O que não quer dizer que não tenha ótimos rosés. O Domaine Sorin Terra Amata Côtes de Provence, um corte de sete cepas diferentes, algumas tintas e outras brancas, é um deles. Tem bastante fruta no nariz e corpo médio. É um vinho que, sem perder a delicadeza, faz frente com tranquilidade a carnes mais gordurosas, como uma barriga de porco, por exemplo. Tem acidez suficiente para “derreter” a gordura e estrutura para envolver os aromas do prato. Sai por R$ 87 na Decanter.

6 – Lavanda, groselha e herbs de Provence: os aromas da paisagem

IMG_20141105_175521O cheiro dos lugares se prende à nossa memória e, de vez em quando, reparece reabrindo portais que nos levam a outros lugares e épocas. O aroma da Provence, na minha cabeça, é principalmente a lavanda, mas também a fruta vermelha, a groselha, as ervas aromáticas. O M Minuty Côtes de Provence tem tudo isso. Além do rosa de um tom lindo e pálido que me lembra as ruas e as cidades por lá e da tradicional garrafa em forma de ampulheta. Tem corpo médio e vai bem sozinho ou com um camarão,  por exemplo. Importado pela Premium Drinks, custa R$ 90, .

7 – Segredos e revelações

IMG_20141105_181432O Secret de Comptoir Côtes de Provence, da vinícola Le Comptoir des Vins de Flassans, cooperativa da região de Varrois, parece realmente guardar algum segredo. De início, ele não se abre em flores e frutas, seu floral e seu frutado são discretos e elegantes, mas quanto mais o vinho fica na taça mais a flor e a fruta vão aparecendo assim como aromas de ervas e um leve terroso. Tem algum corpo e se percebe os taninos. Nada que cause desprazer, muito pelo contrário. Uma amiga que só toma tinto gostou desse vinho.  Bom para acompanhar comida. Sai por R$ 66 na Grand Cru.

8 – Mais que um romance de férias

IMG_20141105_181311Aqui temos uma mudança de patamar. Corte de oito variedades, tintas e brancas, o Chateau Barbeyrolles Côtes de Provence apresenta mais complexidade do que os anteriores. No nariz, a gente sente a lavanda, as ervas aromáticas, a fruta vermelha fresca, a fruta branca, mas sente também algo levemente terroso, um toquezinho animal. A cor rosa muito pálido e muito claro que não engane: o vinho é leve e fresco, mas sério. Pretende (e consegue) ser bem mais do que um forma agradável de matar a sede no verão. Também da Premium Drinks, ele custa R$ 188. Sei que não é baratinho, mas é um belo exemplo de Côtes de Provence.

9 – Fama e reconhecimento

IMG_20141105_180536Uma das 18 vinícolas da Provence classificadas como cru classé, o mais alto nível da região, o Château Robine é tido como um dos grandes vinhos da Provence. Eu concordo. Ao levá-lo ao nariz, dá para entender por que. A variedade de aromas é enorme. Na safra 2012, há caju, outras frutas tropicais, frutas vermelhas, um defumado, um toque animal, etc. Na boca, é seco e repete a riqueza aromática. Muito bom. A safra 2012 custa R$118 na World Wine.

10 – Sonho de consumo

roselineCostumo estabelecer um limite máximo de cerca de R$ 150 para as indicações deste blog. É um monte de dinheiro, eu sei, mas, num dia especial, dá para fazer um esforço e comprar. Claro que não para todos. Para a maioria do povo brasileiro, 40 paus já é preço de dia super especial. Para uns poucos, 2 mil não é nada. Acho que me pauto por mim, por quanto estou disposta a pagar. O Château Sainte Roseline Cru Classé ultrapassa bem esse limite. Custa R$ 199 na Franco-Suíssa. Eu experimentei na aula da ABS. Como gostei muito, resolvi contar para vocês. A safra 2012 está com um tom alaranjado. No nariz, tem frutas vermelhas, pêssego, damasco, melão, flores brancas, mel. Na boca, além de tudo isso, tem anis.

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