O vinho da terra do café

IMG_20150124_154258

Cresci ouvindo dizer que vinho brasileiro não prestava pra nada. Meu pai, meus avós, meus tios e seus amigos não entendiam de vinho, mas o pouco que tomavam era estrangeiro. Boa parte das vezes, português. Tarde na minha adolescência, vi eles começarem a se interessar pelo que era produzido no Rio Grande do Sul. Vinho paulista, ou vinho de São Roque, era sinônimo de vinho ruim, vinho de garrafão. Ninguém em casa nunca bebeu isso.  talvez meu avô materno, que era filho de italianos, mas não lembro. Logo depois, eu comecei a tomar vinho, vinho chileno, português, argentino e, muito raramente, vinho gaúcho. E gostei da brincadeira. Desde cedo era metida a explorar o tema. E, em tudo que eu lia ou ouvia de quem sabia mais que eu, havia sempre uma certeza: o estado de São Paulo, como a maior parte do Brasil, não tinha terroir compatível com a plantação de uvas viníferas. Aqui chovia muito, o solo era muito rico, o clima muito quente, não havia estações marcadas. Éramos a terra do café, do álcool, da soja, mas definitivamente não do vinho.

A cidade de São Paulo fez 461 anos. Brindei com um vinho paulista, o Guaspari Syrah/Vista do Chá 2011, produzido em Espírito Santo do Pinhal que, por incrível que pareça, é muito bom. Tem taninos redondos, uma certa complexidade de aromas, ótima acidez, tudo muito bem equilibrado. São Paulo, quem diria, é também a terra do vinho. Mas como?

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Continuar lendo