Para uma safra complicada, traços simples

Etiquette-Mouton-Rothschild-2013-specimen

Desde 1945, os rótulos do Château Mouton-Rothschild são desenhados por grandes artistas, que nunca recebem o pagamento em dinheiro, mas, sim, em caixas de vinho. Considerado um dos melhores do mundo, ao que parece, o grande Bordeaux tem sido recompensa suficiente, capaz de atrair os maiores nomes da arte contemporânea.  Salvador Dalí (1958), Marc Chagall (1970) e Andy Warhol (1975), por exemplo, já participaram da brincadeira.

A safra de 2013 a princípio poderia não ser considerada um grande atrativo. O ano foi desastroso para Bordeaux, com perda de produtividade e de qualidade de maneira geral. Os Rothschild, porém, não costumam sofrer dos problemas dos outros mortais. Seus vinhos continuam super-valorizados: quase 400 euros a garrafa da safra 2013 que chegará ao mercado em breve.

Nesta quarta-feira (21), a família divulgou o rótulo que estará nas garrafas do 2013, obra do sul-coreano Lee Ufan, artista com peças em Versailles, Guggenheim e MoMa. A simplicidade de traços é o que mais chama a atenção. A imagem lembra um copo oriental em degradê de tons magenta. “O inicialmente indefinido lilás do desenho gradualmente obtém sua riqueza completa assim como um vinho é pacientemente elevado à sua plenitude na adega”, disse o artista sobre a obra.

 

Acidez é a resposta

drinques rubayatNo verão, muita gente dispensa o vinho tinto e escolhe um drinque, uma caipirinha, um gin tônica ou um dry martini, porque esses parecem mais frescos. O escambau! Coquetéis costumam ser ultra alcoólicos e doces. Esquentam. Não os de Miguel Gonzales Larraguibel, o barman do novo Rubaiyat que será inaugurado em Santiago do Chile. Em sua breve passagem por São Paulo, Larraguibel me fez entender que a resposta para se obter de fato um drinque de verão está em apostar na acidez. As criações do chileno, que entram na nova carta do Figueira, do Rubayat da Alameda Santos e do Rubayat da Faria Lima, são azedinhas, discretas no açúcar e pouco alcoólicas. Ou seja, frescas. Ele inventou até uma sangria sem vinho ou qualquer tipo de alcool (veja receita). Mesmo para acompanhar uma sobremesa bastante doce, como o Creme de laranja com baunilha e frutas vermelhas, Larraguibel serviu uma caipirinha quase sem açúcar — de vodca com Cointreau e frutas vermelhas (foto acima). E funcionou.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Continuar lendo