12 vinhos marcantes para presentear no Natal

abre3Vinho é sempre uma boa opção para presentes de última hora. Já escrevi isso. No entanto, quando alguém chega a uma festa com uma garrafa na mão, paira sempre uma dúvida. Trata-se de um presente ou de um vinho para ser aberto naquela noite? Quando o rótulo é especial, fica  claro que é um presente. Vinhos fortificados são sempre especiais, ainda que não sejam sempre muito caros. São ótimos presentes de Natal. Vários deles, inclusive, duram meses depois de abertos, marcando presença o ano todo.

Na maioria das vezes, os fortificados são doces, de sobremesa. No entanto, nem sempre é assim. Vinho fortificado é aquele que teve adição de álcool. Em boa partes das vezes, essa fortificação é feita antes de a fermentação dos açúcares estar concluída. O álcool interrompe a fermentação, deixando sobrar um monte de açúcar residual. Daí a maior parte deles ser doce. Contudo, há fortificados secos, como é o caso de certos jerezes (veja post Jerez vira moda entre jovens europeus)

O mais famoso dessa categoria é o vinho do Porto (veja artigo que escrevi para a Folha de S.Paulo). Delicioso, mas longe de ser o único estilo. Há um mundo a se descobrir. A seguir, conheça os estilos  e veja exemplos de fortificados deliciosos que bebi recentemente:

Porto, a cidade do Vinho 

Por muitos anos, não suportei beber vinho do Porto, o vinho que meu avô tomava. Além de me parecer doce em demasia, para mim, tinha aroma de velho. Na verdade, o vinho de meu avô costumava ser velho mesmo. Era aberto e guardado na cristaleira por meses. Provavelmente, era um Ruby, que estraga depois de abrir. Os Portos se dividem basicamente em Ruby ou Tawny. O Ruby tem tom avermelhado e aroma frutado, sem traços de oxidação. Há o Ruby simples, o Reserva, o Late Bottled Vintage (LBV) e o Vintage. Nenhum dles resiste ao contato com o ar. Deve ser consumido assiv que a garrafa for aberta. O Tawny pode ficar aberto, porque ele é pré-oxidado. Tem tom acastanhado, com aroma de frutas secas. Pode ser simples, Reserva, Colheita ou ter Indicação de Idade (10, 20, 30 ou + 40 anos).

Para ler as legendas, clique sobre as fotos.

Jerez: não é nome, é sobrenome

O jerez é moda na Europa, como contei em um post no início deste mês. Há bares inteiros dedicados a ele. Não é de admirar. Existem vários tipos de jerez. É uma família. Ser um jerez significa ser um vinho fortificado da região de Jerez de la Frontera, na Andaluzia, Espanha, feito segundo alguns padrões dessa denominação. O principal desses padrões é o uso da solera para amadurecimento do vinho. A solera é uma pilha de barris na qual os vinhos mais velhos ficam embaixo e os mais novos em cima e, ao longo dos anos, os responsáveis pela adega vão misturando os conteúdos dos barris de modo a ter sempre vinhos muito velhos para usar nos blends. As principais uvas usadas para fazer jerez são a palomino e a pedro ximenez, mas há também jerez de moscatel.

Madeira: tão bom que chega a ser um perigo 

Amo vinho de Madeira. Ele tem tanta acidez que você nem sente o açúcar. Diz a lenda que sua invenção aconteceu meio por um acaso na época do Brasil Colônia. As galeras portuguesas que atravessavam o Atlântico para trazer suprimentos de Portugal para o Brasil costumavam se abastecer na  Ilha da Madeira. Lá, enchiam tonéis com um vinho local de qualidade duvidosa para consumo da tripulação. Para aguentar a travessia, esse vinho era fortificado. No caminho de ida e volta do Brasil, o vinho ia torrando nos porões do navio que cruzava o Equador duas vezes. O surpreendente é que no fim da viagem estava excelente, com aromas de laranja confitada, caramelo, frutas secas. Hoje as vinícolas da Madeira têm um sistema de estufagem para simular o calor da viagem. Estive lá em 2011 e fiquei imaginando que horror eram essas galeras. A estufa é insuportável, mais de 50 graus.

Moscatel de Setubal: vinhos fantásticos por preços incríveis

Por séculos Portugal dominou as grandes navegações e, consequentemente, o comércio de vinhos. Isso numa época em que não havia conservantes e nem garrafas seladas. Não é à toa que até hoje os portugueses são os reis dos fortificados. No passado, os vinhos viajavam em barricas, tonéis ou mesmo ânforas, completamente expostos ao oxigênio. A melhor forma de evitar que estragassem era fortificá-los. Outra era permitir que fossem oxidando devagar antes da viagem, para não desandarem com o contato com o ar. Menos famoso que o Porto e o Madeira, o Moscatel de Setubal também é espetacular. Elaborado a uva moscatel de Alexandria, na Península de Setúbal, bem próxima à Lisboa, esse vinho tem um aroma floral delicioso e é azedinho na boca, apesar de todo o açúcar.

Por todos os cantos do mundo

Portugal e Espanha são grandes produtores de fortificados. Em Portugal, além do Porto, do Madeira e do Moscatel de Setúbal, há os abafados da bairrada, o Carcavelos também das redondezas de Lisboa. Na Espanha, os fortificados de Málaga têm bastante prestígio.  Na Itália, os Marsalas, da Sicilia também são bastante famosos. Como os jerezes, têm diferentes graus de açúcar. E, como os Madeiras, são “cozidos” em estufas. O Vernaccia di Oristiano, outra denominação de origem italiana, na Sardenha, usa sitemas de soleras. Na França, também não faltam exemplos. Só na região do Languedoc -Roussilon há dois grandes fortificados, o Banyuls  e o Maury.

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