Que terroir é esse? Dinamarca.

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Skærøgaard Top Silver 2009. O terroir mais improvável: Dinamarca. As uvas bastante desconhecidas: Rondo e Leon Millot, ambas tintas criadas em laboratório. Um vinho bem gostoso, por incrível que possa parecer. Me lembrou alguns tannats do Uruguai. No nariz, bastante fruta escura “sotto spirito” (conservadas em destilados). Na boca, bastante redondo.

Esta vinícola, eu visitei. Estava na Dinamarca para escrever sobre cerveja, mas fiz questão de descobrir como são os vinhos que meia dúzia de “malucos” estão fazendo nessas terras geladas. Saí de trem de Copenhagem até Odense, a cidade natal do escritor Hans Christian Andersen, me hospedei por lá para aproveitar o fim-de-semana do mercado de natal e lá aluguei um carro para chegar à vinícola. Programei o GPS para ir só por estradas vicinais. Lindo, um campo cheio de casinhas nórdicas. Se o GPS quebrasse eu não sairia nunca mais dali, mas foi incrível.

A Skærøgaard é a maior vinícola do país. Foi a primeira cadastrada. Sua primeira safra é de 2001. Fica próxima ao lago de Skærsø, em Dons, perto de Kolding, uma das maiores cidades da Jutilândia. Produz ótimos espumantes. Os tintos e brancos também são bastante bons, além disso produz licorosos, brandies e um cherry wine, fermentado de cereja que lembra muito vinho. O espumante da Skærøgaard “DON’s” ganhou várias medalhas em concursos internacionais.

A Jutilândia atualmente é uma Indicação Geográfica Protegida, mas está tentando se transformar em Denominação de Origem Protegida. Para isso, precisa de aprovação da União Européia. A Skærøgaard fica no paralelo 55,  cinco graus acima da faixa considerada ideal para a produção de vinhos. Ainda assim. não é a vinícola mais próxima do Pólo Norte. Hoje se produz vinho na Suécia e até na Noruega. “O vinho norueguês não é muito bom, não”, diz Sven Moesgaard, proprietário da Skærøgaard. “Lá é muito frio”.

E na Dinamarca, não? Segundo ele, não tem feito mais tanto frio quanto em outras épocas. Visitei a vinícola, que fica mais ou menos na altura de Copenhagem, em dezembro de 2014 e ainda não tinha caído nenhuma neve. “A quantidade de luz que as uvas recebem compensa a temperatura um pouco mais baixa do que em outras partes da Europa”, diz. A região é plana, fica quase no nível do mar. No caso, o Mar do Norte, frio para caraca. Mas uma pequena elevação protege os vinhedos dos ventos.

Moesgaard é dono de uma das maiores indústrias farmacêuticas da Dinamarca. Pôs na cabeça que queria produzir vinho por lá e investiu nisso. Na agricultura e na vinificação. Sua vinícola é super bem montada. Ele usa carvalho francês, do melhor. Ainda é muito pouco conhecido na própria Dinamarca, mas isso deve mudar logo.

 

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