6 espumantes secos barbaridade!

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Cavalgada na Vinícola Guatambu

O Brasil faz ótimos espumantes há anos. Não são os melhores do mundo, como apregoam alguns ufanistas, mas são muito bons. Quando falamos de espumante brasileiro, no entanto, costumamos falar de rótulos da região de Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, Garibaldi, da Serra Gaúcha. Será que só por lá se fazem bons espuantes? Será que a qualidade dos espumantes brasileiros está associada ao terroir da Serra Gaúcha? Não seria resultado do domínio das técnicas de produção que nossos enólogos adquiriram nos últimos anos? Difícil dizer. Tudo em Bento e arredores parece ajudar na ótima acidez das uvas (o que é fundamental para um bom espumante). O clima é úmido, a uva custa a amadurecer, o solo é ácido…

No entanto, o fato de a Chandon, uma das mais conceituadas produtoras de champanhe, ter se instalado no Rio Grande do Sul nos anos 70  também tem um peso enorme nessa qualidade. Houve transferência e geração de tecnologia. Tanto que hoje se produz espumantes razoáveis em várias partes do país, como o Nordeste e Santa Catarina. E, no próprio Rio Grande do Sul, agora estão surgindo grandes rótulos em regiões não tão chuvosas quanto Bento, como a Campanha Gaúcha, Campos de Cima da Serra e a Serra do Sudeste. Neste verão provei alguns deles (veja a seguir). O mais interessante é que são bem diferentes dos da Serra Gaúcha.

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12 vinhos marcantes para presentear no Natal

abre3Vinho é sempre uma boa opção para presentes de última hora. Já escrevi isso. No entanto, quando alguém chega a uma festa com uma garrafa na mão, paira sempre uma dúvida. Trata-se de um presente ou de um vinho para ser aberto naquela noite? Quando o rótulo é especial, fica  claro que é um presente. Vinhos fortificados são sempre especiais, ainda que não sejam sempre muito caros. São ótimos presentes de Natal. Vários deles, inclusive, duram meses depois de abertos, marcando presença o ano todo.

Na maioria das vezes, os fortificados são doces, de sobremesa. No entanto, nem sempre é assim. Vinho fortificado é aquele que teve adição de álcool. Em boa partes das vezes, essa fortificação é feita antes de a fermentação dos açúcares estar concluída. O álcool interrompe a fermentação, deixando sobrar um monte de açúcar residual. Daí a maior parte deles ser doce. Contudo, há fortificados secos, como é o caso de certos jerezes (veja post Jerez vira moda entre jovens europeus)

O mais famoso dessa categoria é o vinho do Porto (veja artigo que escrevi para a Folha de S.Paulo). Delicioso, mas longe de ser o único estilo. Há um mundo a se descobrir. A seguir, conheça os estilos  e veja exemplos de fortificados deliciosos que bebi recentemente: Continuar lendo

Jerez vira moda entre jovens europeus

pepito2Você sabe o que é um Jerez? A maioria dos consumidores brasileiros de vinho fino não sabe. Esse fortificado da região de Jerez de la Frontera, na Andaluzia, Espanha, também conhecido como Sherry ou Xerez, é pouco bebido por aqui. Na Europa, fora da Espanha, até pouco tempo atrás também era assim. Hoje, no entanto, o Jerez é o que há de mais cool entre a moçada que gosta de vinho e tem sede de novos aromas e sabores.

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Vinho é o melhor presente de última hora

IMG_20141223_194231Todo ano, deixo para comprar os presentes de Natal no último dia. Odeio entrar em shopping no fim do ano, enfrentar a muvuca, não achar onde estacionar, sair no tapa pela última garrafa daquele perfume que sei que minha amiga vai adorar. Também não tenho uma cabeça organizada o suficiente para fazer as compras com dois meses de antecedência. Por experiência, sei que o dia 24 é bom para comprar presentes. As lojas estão mais vazias. Só que não dá tempo de pensar muito. Se você é como eu, vá a uma loja de brinquedos para comprar os presentes das crianças e, depois, a uma única importadora de vinhos. Até mesmo num bom supermercado você resolve o problema dos adultos. Vinho é o melhor presente de última hora do mundo. Há vinhos para todos os tipos de pessoas em todas as faixas de preços possíveis. A seguir algumas sugestões fáceis de encontrar:

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Dez rosés para se apaixonar pela Provence

vins-provenceDez anos atrás, se você sugerisse a um brasileiro que ele tomasse um vinho rosé, a resposta provavelmente seria:”Tá me chamando de viado?”, uma observação em tom de piada, seguida de risadas, mas que encerrava o assunto. O sujeito não bebia rosé a não ser que estivesse com a namorada, e mesmo assim resistia. Sozinho ou com amigos, jamais! Claro que nem todo mundo era tão tonto. Mas é claro também que ainda hoje há homens que falam esse tipo de asneira. Brasileiros (e brasileiras boas de copo) até bem pouco tempo diziam que vinho de verdade mesmo era vinho tinto, o resto era coisa de moça que não sabe beber. Porém isso está mudando. Os brasileiros, que sempre torceram o nariz para os rosados, parecem que estão começando a descobrir o quanto esse tipo de vinho combina com o nosso clima e a nossa cozinha. Assim como os brancos, os rosés são para tomar geladinhos. Mas à diferença da maior parte dos brancos, eles têm algum tanino. Isso faz com que encarem uma moqueca ou uma feijoada com mais presença de boca.

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Muito além do Cabernet Sauvignon

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Como boa parte das pessoas, na adolescência eu já bebia. Não estou dizendo que isso é bonito, mas é a verdade. À diferença da grande maioria dos adolescentes bebuns, no entanto, eu era exigente. Fazia questão de um sabor que me agradasse. Claro que não tinha um paladar apurado, mas também não aceitava qualquer coisa. Bebia principalmente drinques: caipirinha, hi-fi, whisky sour e outros coquetéis hoje considerados vintage. Gostava de cognac, tomava uma taça de champanhe (que não era champanhe de verdade) no Natal e outra no Reveillon e bicava uísque em casamentos e festas de debutante.  Não bebia cerveja, não tomava pinga com mel, virava o nariz  para as batidas do Rei das Batidas e detestava, ora vejam só, vinho tinto. Detestava por dois motivos: porque tinha nojo de borra e, principalmente, porque só tinha experimentado vinho tinto ruim, o vinho de garrafão que alguns amigos adoravam.

Quando, com 17 anos, descobri o Cabernet Sauvignon chileno, me apaixonei. O nojo da borra passou rapidinho. Na época, a qualidade do vinho chileno não chegava nem perto da atual. E a minha verba para vinhos tampouco. Mas Cabernet Sauvignon chileno é bom mesmo quando é ruim. Tanto que o mundo se acostumou a tomar o Cabernet chileno e se esqueceu do resto que o país produzia. Depois apareceu a história da Carmenère, a uva “chilena”. Nunca chegou a me convencer. Contudo convenceu muita gente, tanto que hoje é a terceira variedade fina tinta mais plantada no país, ficando atrás só da Cabernet Sauvignon e da Merlot. Mais tarde, vieram os grandes chilenos, os vinhos ícones (veja o post Ícones da Mudança), cortes que misturavam várias uvas e fizeram muito sucesso. Como eram blends no estilo de Bordeaux, no entanto, a casta predominante era quase sempre a boa e velha Cabernet Sauvignon. De uns anos para cá, porém, o Chile está produzido tintos ótimos com várias uvas, outras cepas têm se destacado e eu aprendi a me aventurar.

carignanCarignan: O charme das vinhas velhas – Atualmente, sou apaixonada pela Carignan chilena. Ninguém pode me acusar de volúvel. Minha paixão pelo Cabernet Sauvignon durou anos. De uns tempos para cá, me encantei com os vinhos chilenos feitos a partir da Carignan, casta de origem espanhola, levada da Argentina para o Chile depois de o terremoto de 1939 destruir boa parte do parreiral de uvas País do Vale do Maule. Eram clones vindos do sul França (deve vir daí o costume dos chilenos de usarem o nome Carignan e não Cariñena, como os espanhóis). Por décadas, a Carignan permaneceu no Maule misturada com a uva País, variedade usada para fazer vinho pipeño, um estilo tradicionalmente barato, mas que também está sendo redescoberto (leia post O vinho de garrafão chileno está na moda). Há cerca de uma década, produtores chilenos importantes descobriram esse tesouro em vinhas velhas de Carignan no Vale do Maule (veja post Os Vários Terroirs do Chile). Essas vinhas estavam nas mãos de velhinhos que tinham se recusado a cortá-las para plantar variedades mais na moda. Vinhas velhas, como vocês talvez saibam, produzem grandes vinhos, vinhos concentrados, carnudos, mas com taninos redondos e sem aquele gosto de geleia dos vinhos que devem seus aromas frutados às temperaturas elevadas.

Além de Carignan, o país tem produzido ótimos Syrahs, Cabernets Franc, Malbecs e Pinots Noir. A seguir, sugestões de tintos chilenos que não são Cabernet Sauvignon nem Carmenère nem cortes bordaleses (os Pinots ficaram de fora porque terão um post só seu):

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Vinho por conta da casa

IMG_20140807_095342Passei dois dias em Montevidéu em agosto, antes de ir para Punta del Este, onde faria parte do Expert Speed Tasting, promovido pelo site Bodegas del Uruguay. De manhã até o fim da tarde, rodei a região de Canelones (veja post De Bodega em Bodega) visitando vinícolas. Adoro, mas é cansativo. Nessas visitas, muitas vezes, às nove da manhã já estou degustando (e cuspindo) vinho. Ando pelo parreiral, visito a vinícola em si, que nada mais é do que uma fábrica, e escuto uma série de detalhes sobre agronomia e enologia. São visitas bem mais técnicas do que o turista normalmente faz. No fim do dia estou quebrada. Ficar em um bom hotel é fundamental.
Quero relaxar. E o que faço para relaxar? Acreditem se quiser: tomo vinho. Aí eu tomo mesmo, não cuspo. Nessa minha última passada por Montevidéu, quando chegava no hotel, que maravilha, tinha uma degustação de vinhos e azeites no bar me esperando, a mim e a todos os hóspedes. No My Suites, Boutique Hotel & Wine Bar, a diária (cerca de 370, o casal, salvo promoções) inclui uma degustação de três vinhos e três azeites, com direito a uma cestinha de pão muito gostosa. Mauricio Gimenez, o sommelier do My Suites, escolhe vinhos e três azeites diferentes para cada noite e dá uma breve palestra sobre eles.  As taças são bem servidas, vale bem como um happy-hour.

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