Antes tarde do que nunca

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Há um ano, fiz um post intitulado “Que terroir é esse”, anunciando uma degustação de vinhos de regiões vinícolas bem pouco convencionais, como Dinamarca e China. Prometi voltar no dia seguinte com o resultado da degustação e só estou reaparecendo agora. Desculpem, foi mau! Foi um ano de muita luta para sobreviver e o blog, como a maioria dos blogs do mundo, só me dá prazer. Dinheiro algum.

Mas antes tarde do que nunca. Como promessa é dívida, cá estou para contar como foi nossa degustação. Aliás, nossas degustações, porque recentemente fizemos uma segunda edição da “Que terroir é esse”. Formamos uma confraria bastante informal, só de jornalistas de vinho. No primeiro encontro, estiveram presentes Beto Duarte, Breno Raigorodsky, Glaucia Balbachan, Mauríco Tagliari, Solange Souza e eu. Na segunda, juntou-se a nós o Johnny Mazzilli. Em ambas, bebemos vinhos dos lugares mais inusitados.

A primeira degustação foi feita às cegas. Ninguém sabia exatamente o que estava bebendo. Bebemos vinhos da China, da Dinamarca, da Turquia, de Malta, da Bolívia, de Minas Gerais e, para confundir, um italiano e um francês da Provence. A conclusão foi de que ali não tinha vinho ruim. O da Bolívia, o TRI Varietal 2012, da vinícola Campos de Solano, foi o que chamou mais atenção pela qualidade.

Na segunda edição, o grupo decidiu fazer a degustação aberta. Com o povo sabendo o que estava bebendo. Não achei que funcionou tão bem. Mas, como fui a última a chegar, com bastante atraso, isso foi decidido sem a minha opinião. Justo. Mas acho que não funciona tão bem, porque mesmo os especialistas tendem a esperar mais de vinhos de regiões menos estranhas. A gente acaba sempre influenciado pelo que já sabe do vinho antes de bebê-lo. Nessa, tomamos vinhos da Tailândia, da Turquia, de Nova York, do Canada, da Romênia, de São Paulo e do sul da França. Dessa vez, o que fez mais sucesso foi o da Romênia. Pela cor e pelos aromas, já que não conseguíamos ler nada, chegamos à conclusão de que ele era um vinho laranja, ou seja, um branco feito em contato com as cascas.

 

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Que terroir é esse?

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Sven em um de seus vinhedos

Dono de uma das maiores indústrias farmacêuticas da Dinamarca, Sven Moesgaard planejava comprar uma vinícola na França quando se aposentasse. “Mas aí pensei: Isso todo mundo pode fazer”, conta Sven. “Vou fazer vinho aqui na Dinamarca”. E provou que podia. Em uma viagem que fiz à Dinamarca, fui visitar a sua vinícola e provei alguns desses vinhos que ele produz acima do paralelo 52, algo imprensável há alguns anos. Mas a definição do que é e do que não é um bom terroir tem mudado muito.

Não perca amanhã o resultado da degustação que vai rolar daqui a pouco com vinhos da Dinamarca, China, Bolívia, etc.

Manifestante acidental

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Fui à meia dúzia de manifestações políticas na vida. Militância nunca foi o meu negócio. Sempre achei essa história de apoiar um partido cegamente algo irracional, meio como torcer para um time futebol. Nos últimos tempos, no entanto, senti necessidade de me posicionar, de dizer ao Facebook e ao mundo o que estou achando da situação do país — principalmente depois que a PM passou a distribuir porrada pra tudo quanto é lado, de uma maneira tão truculenta que me fez lembrar do medo que, ainda criança, eu já tinha de polícia nos anos 70. Embuída desse espírito cívico, domingo, apesar do pavor de apanhar da polícia, de me ferir com uma bomba ou tomar um tiro de bala de borracha, achei que devia ir à manifestação da Avenida Paulista.

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Charlie Hebdo não perdoa

charlie hebdoEnquanto uns garantem que foi Israel, com ajuda da CIA, é lógico, que armou os atentados de Paris para criar intrigas entre os árabes e o Ocidente. Charlie Hebdo, a revista francesa de cartoons que meses atrás foi alvo de atentados, aparece com uma teoria mais plausível: “Eles tem suas armas, nós os irritamos, temos o champagne!” E o desenho mostra um francês todo cheio de furos de bala por onde escapam jatos do champagne que está bebendo. Nem sempre gosto do humor deles. Porém, hoje, acho que acertaram na medida (embora que a gente saiba muito bem que a França tem armas para dar e vender, literalmente). Pensando bem, talvez as famílias das vítimas fiquem incomodadas com a brincadeira. Uma coisa, no entanto, é certeza: um monte de barbudos, que não são hipsters, vão ficar ainda mais irritados.

Uma ótima oportunidade para conhecer melhor o Jerez

tiposNo mundo todo, até 8 de novembro, grupos de vários tipos estão se reunindo para celebrar a International Sherry Week, uma semana dedicada ao vinho fortificado mais famoso da Espanha, o Jerez. Ou melhor, dedicada aos vários Jerezes. Porque são muitos os estilos de vinhos produzidos sob essa denominação de origem, cada qual com um método de produção diferente. Não é fácil dominar o assunto. Jerez, Sherry ou Xerez. A dificuldade começa no nome. No entanto, se você não pretende ficar fora dessa festa, pode começar dando uma olhada nos infográficos abaixo, que encontrei na internet:

A sommelière e o poeta

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Já trabalhei em jornal. Sei que o espaço é limitado. Por isso, quando enviei um texto grandoto sobre enoturismo no Chile para o caderno Turismo da Folha de S.Paulo, em julho passado, sabia que ele seria cortado. Não sabia o que iriam cortar, mas imaginava que iriam cortar. Por sorte, entre outros trechos, cortaram o que falava de Casablanca e do Vale de San Antonio. Sorte não porque seus vinhedos não mereçam ser visitados. Muito pelo contrário. A região litorânea a poucos quilômetros de Santiago é linda e produz vinhos maravilhosos. Sorte porque, assim, posso usar o trecho cortado aqui no blog e falar daquilo de que mais tenho vontade de falar desde que soube que faria uma matéria sobre turismo no Chile: Isla Negra, a casa de sonhos do poeta Pablo Neruda.

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