Por que não wine hour?

abreOs escritório e a happy hour parecem ter surgido juntos. A cervejinha gelada depois do trabalho, acompanhada de linguiça acebolada, bolovo, pastel, tem toda a cara de coisa sagrada, um costume super brasileiro, tão antigo quanto a transformação das vilas em grandes metrópoles. Esse costume, no entanto, é bastante recente. Nasceu no início dos anos 80. Eu lembro. Nos anos 70, tirando uns poucos boêmios, todo mundo voltava direto para casa depois do trabalho. Os meus pais nunca fizeram happy hour.

Nos anos 80, a era yuppie, começou a surgir uma porrada de novos bares em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, etc. Antes disso, nessas cidades, quase só existia restaurante, onde você ia jantar em ocasiões especiais, ou boteco de esquina, desses que tem até hoje, onde mulher só entra para comprar cigarro e sai correndo. Os novos bares da década de 80 vieram democratizar a botecagem e começaram com a ideia de promover a happy hour — tentando convencer o brasileiro a aderir ao hábito americano. Os moradores das grandes cidades acabaram por aderir. Só que, invés de tomar uísque ou coquetéis como nos EUA, trouxeram para a mesa da happy hour a cerveja barata e estupidamente gelada, o chopp, a cachaça e os petiscos dos botecos da boêmia carioca, esses sim bastante tradicionais.

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baladeiros unidos

IMG_20140905_222622 (2)A vida toda fui super baladeira. Quando tinha 12 anos, conversando com uma prima de 14 numa sexta-feira, jurei: “Quando eu tiver a sua idade, vou sair toda noite”. Por muitos e muitos anos cumpri essa promessa. Hoje saio só umas três a quatro vezes por semana, antes era praticamente toda noite. Não sempre para balada. Na maioria das vezes, para restaurante ou boteco. Ironicamente, sou uma baladeira, botequeira, que não se liga em cerveja. Meu negócio sempre foi vinho. Então, já sofri muito na vida, como vocês podem imaginar. Chego no boteco, e o que tem para beber? Concha e Toro Reservado, Santa Helena Reservado. Quando tem. Na balada, às vezes, tem espumante, mas é caro. O Baladero é um vinho com qualidade de restaurante e preço de boteco. Custa R$ 36,50 na importadora Barrica Negra. No boteco, deve chegar a uns 50, 60 paus. É um vinho argentino, de Mendoza, mas feito por uma família de pernambucanos. O Malbec é ótimo. Porém gostei especialmente deste Cabernet Sauvignon 2011, um vinho com bastante fruta no nariz, corpo médio, fresco, nada pesado. Não digo que dá para harmonizar com bolinho de feijoada, mas se você pedir um presunto, um salame, vai bem.

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