Por que não wine hour?

abreOs escritório e a happy hour parecem ter surgido juntos. A cervejinha gelada depois do trabalho, acompanhada de linguiça acebolada, bolovo, pastel, tem toda a cara de coisa sagrada, um costume super brasileiro, tão antigo quanto a transformação das vilas em grandes metrópoles. Esse costume, no entanto, é bastante recente. Nasceu no início dos anos 80. Eu lembro. Nos anos 70, tirando uns poucos boêmios, todo mundo voltava direto para casa depois do trabalho. Os meus pais nunca fizeram happy hour.

Nos anos 80, a era yuppie, começou a surgir uma porrada de novos bares em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, etc. Antes disso, nessas cidades, quase só existia restaurante, onde você ia jantar em ocasiões especiais, ou boteco de esquina, desses que tem até hoje, onde mulher só entra para comprar cigarro e sai correndo. Os novos bares da década de 80 vieram democratizar a botecagem e começaram com a ideia de promover a happy hour — tentando convencer o brasileiro a aderir ao hábito americano. Os moradores das grandes cidades acabaram por aderir. Só que, invés de tomar uísque ou coquetéis como nos EUA, trouxeram para a mesa da happy hour a cerveja barata e estupidamente gelada, o chopp, a cachaça e os petiscos dos botecos da boêmia carioca, esses sim bastante tradicionais.

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7 dicas espertas para degustar um vinho

IMG_20140808_174803Nunca me senti tão esperta quanto nos quatro dias que passei no Uruguai durante o Salão Internacional de Vinho e Gastronomia do Mantra Resort de Punta del Este em agosto.  “A senhora é uma das espertas, não é?”, perguntava a recepcionista. “Sim, claro!”. O segurança me informava que nós, os espertos, tínhamos direito a uma área reservada dentro do salão. O gerente do hotel fez um agradecimento especial a nós, o grupo internacional de espertos ali reunidos para o Expert Speed Tasting. Não querendo chamar o leitor de pouco esperto, acho bom esclarecer que os uruguaios estavam dizendo experta, experto, com x, que em espanhol quer dizer especialista.
Fiz parte de um grupo de especialistas convidados pelo Bodegas del Uruguay para avaliar o trabalho de algumas das mais importantes vinícolas do país. Na degustação, provamos e comentamos 19 vinhos de diferentes vinícolas. Depois, na feira, degustei mais algumas dezenas. Claro, aprendi muito sobre o vinho uruguaio (veja o post Vinhos que provei e aprovei). Mas não só. A oportunidade foi boa também para observar o trabalho dos especialistas, refletir sobre o que é ser esperto quando se trata de vinho e lembrar de algumas pontos básicos. A seguir, algumas observações tiradas desse e de outros eventos:

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