Manifestante acidental

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Fui à meia dúzia de manifestações políticas na vida. Militância nunca foi o meu negócio. Sempre achei essa história de apoiar um partido cegamente algo irracional, meio como torcer para um time futebol. Nos últimos tempos, no entanto, senti necessidade de me posicionar, de dizer ao Facebook e ao mundo o que estou achando da situação do país — principalmente depois que a PM passou a distribuir porrada pra tudo quanto é lado, de uma maneira tão truculenta que me fez lembrar do medo que, ainda criança, eu já tinha de polícia nos anos 70. Embuída desse espírito cívico, domingo, apesar do pavor de apanhar da polícia, de me ferir com uma bomba ou tomar um tiro de bala de borracha, achei que devia ir à manifestação da Avenida Paulista.

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Por que não wine hour?

abreOs escritório e a happy hour parecem ter surgido juntos. A cervejinha gelada depois do trabalho, acompanhada de linguiça acebolada, bolovo, pastel, tem toda a cara de coisa sagrada, um costume super brasileiro, tão antigo quanto a transformação das vilas em grandes metrópoles. Esse costume, no entanto, é bastante recente. Nasceu no início dos anos 80. Eu lembro. Nos anos 70, tirando uns poucos boêmios, todo mundo voltava direto para casa depois do trabalho. Os meus pais nunca fizeram happy hour.

Nos anos 80, a era yuppie, começou a surgir uma porrada de novos bares em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, etc. Antes disso, nessas cidades, quase só existia restaurante, onde você ia jantar em ocasiões especiais, ou boteco de esquina, desses que tem até hoje, onde mulher só entra para comprar cigarro e sai correndo. Os novos bares da década de 80 vieram democratizar a botecagem e começaram com a ideia de promover a happy hour — tentando convencer o brasileiro a aderir ao hábito americano. Os moradores das grandes cidades acabaram por aderir. Só que, invés de tomar uísque ou coquetéis como nos EUA, trouxeram para a mesa da happy hour a cerveja barata e estupidamente gelada, o chopp, a cachaça e os petiscos dos botecos da boêmia carioca, esses sim bastante tradicionais.

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6 espumantes secos barbaridade!

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Cavalgada na Vinícola Guatambu

O Brasil faz ótimos espumantes há anos. Não são os melhores do mundo, como apregoam alguns ufanistas, mas são muito bons. Quando falamos de espumante brasileiro, no entanto, costumamos falar de rótulos da região de Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, Garibaldi, da Serra Gaúcha. Será que só por lá se fazem bons espuantes? Será que a qualidade dos espumantes brasileiros está associada ao terroir da Serra Gaúcha? Não seria resultado do domínio das técnicas de produção que nossos enólogos adquiriram nos últimos anos? Difícil dizer. Tudo em Bento e arredores parece ajudar na ótima acidez das uvas (o que é fundamental para um bom espumante). O clima é úmido, a uva custa a amadurecer, o solo é ácido…

No entanto, o fato de a Chandon, uma das mais conceituadas produtoras de champanhe, ter se instalado no Rio Grande do Sul nos anos 70  também tem um peso enorme nessa qualidade. Houve transferência e geração de tecnologia. Tanto que hoje se produz espumantes razoáveis em várias partes do país, como o Nordeste e Santa Catarina. E, no próprio Rio Grande do Sul, agora estão surgindo grandes rótulos em regiões não tão chuvosas quanto Bento, como a Campanha Gaúcha, Campos de Cima da Serra e a Serra do Sudeste. Neste verão provei alguns deles (veja a seguir). O mais interessante é que são bem diferentes dos da Serra Gaúcha.

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na temperatura certa

IMG_20140204_001601 (2)O balde de gelo é a solução mais rápida e eficaz para gelar seu vinho, seja ele branco ou tinto. Enquanto o conteúdo de uma garrafa padrão, de 750 ml, leva 60 minutos para baixar de 30 para 20 graus em uma geladeira regulada a 2 graus, em um balde de gelo ela desce de 30 para 20 graus em apenas cinco minutos. Partindo dos mesmos 30 graus, são precisos apenas 14 minutos para a garrafa atingir os 10 graus que sugeri como uma temperatura de serviço boa para tintos neste calor dos infernos. Os brancos podem ficar no gelo no mínimo uns 20 minutos. No entanto, embora pareça infindável, este verão não vai durar para sempre. Em dias mais frios, respeite os 16 graus para tintos encorpados, 14 para os leves, 12 para brancos encorpados e de 8 a 10 para brancos leves e espumantes.  Veja quanto tempo é preciso para uma garrafa atingir a temperatura ideal:

QUANTO LEVA PARA GELAR UM VINHO NO BALDE COM GELO?

Encha um balde com gelo até três quartos de sua altura e complete com água fria
tempo
(minutos)
temperatura da garrafa
(em graus Celsius)
0
30
24
26
24
22
20
18
3
20,6
19,0
17,5
15,9
14,4
4
20,4
19,0
17,6
16,2
14,8
13,4
5
20,2
18,9
17,6
16,3
15,0
13,7
12,4
6
18,7
17,5
16,3
15,1
14,0
12,8
11,6
7
17,4
16,3
15,2
14,0
13,0
11,9
10,6
8
16,1
15,1
14,1
13,1
12,1
11,1
10,1
10
13,9
13,0
12,2
11,4
10,5
9,6
8,8
12
12,0
11,3
10,6
9,9
9,1
8,4
7,7
14
10,4
9,8
9,2
8,6
8,1
7,4
6,8
16
9,1
8,6
8,1
7,6
7,1
6,6
6,1
18
8,0
7,5
7,1
6,7
6,3
5,8
20
7,0
6,7
6,3
6,1
5,6
5,2

dez tintos para o verão

IMG_20140131_010754 (2)Uma vez perguntei a um chef pernambucano, qual tinto era mais apropriado para o clima quente do Nordeste. “Qualquer um”, ele me respondeu. “A gente toma vinho em ambientes com ar-condicionado”. Reconheço que a pergunta foi  malfeita, mas se refrigeração ambiente fosse a única solução para encarar um  vinho tinto em dias muito quentes, eu só poderia tomar tinto em (alguns) restaurantes de outubro a abril. A minha casa não tem ar-condicionado, assim como a casa da maioria dos meus amigos e de mais de 90% da população de São Paulo (se bem que, com com as temperaturas escaldantes dos últimos dias, muitos paulistanos, como eu, devem estar repensando essa opção). Alguns anos e muitas taças mais tarde, hoje sei que, graças a Deus, existem tintos que não batem de frente com o clima tropical. Tintos mais leves, que podem ser consumidos quase gelados. Para saber como identificá-los, dê uma olhada no post Tinto na geladeira?. Para quem quer ir no certo, aqui já vão algumas sugestões:

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